Maria Onofriana
MARIA ONOFRIANA
Mal o sol agonizava
e a noite se anunciava
a tresandar de desejo
vem, fogosa,Onofriana
Maria, bela cigana,
sereia e musa do Tejo.
Foi em tempos, noutra era
viam passar a Severa
levava o xaile traçado
caminhava vacilante
para os braços do amante
casanova enamorado.
Paixão a tantas igual
como todas afinal
lehe abrasa o peito cioso
esse peito sedutor
devotado altar de amor
do Conde de Vimioso.
Diziam que essa paixão
lhe queimava o coração
num rubro calor no peito
quando em amor se entregava
e ao pecado abandonava
seu corpo a outro no leito.
Saibam todos, vou dizê-lo
de ébano era o cabelo
negro o olhar magoado
foi poema, foi guitarra
viveu em noites de farra
morreu nos braços do fado.
in Intimidades - Estados d`Alma


